As universidades particulares de pequeno porte, com até 3 mil alunos matriculados, foram as que menos perderam alunos matriculados no primeiro semestre deste ano, segundo levantamento feito pelo Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp) com 99 instituições do país. O número de estudantes matriculados nessas instituições recuou -0,2% no primeiro semestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano anterior. Mas foram as pequenas instituições que mais perderam calouros este ano. A queda foi de 9,3% em relação ao ano anterior.

— As faculdades de menor porte conseguem fazer uma melhor a política de gestão dos alunos. Oferecem um atendimento mais personalizado, sabe se o estudante ou sua família estão com problemas financeiros. Além disso, algumas dessas instituições são de nichos, com mensalidades mais altas e onde a evasão é menor — diz Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp.

Já nas instituições de médio porte, com entre 3 mil e 7 mil alunos, a evasão foi maior: queda de 2,9% na base de matriculados. O número de calouros encolheu 2,9% nestas instituições. Nas grandes universidades privadas, com mais de 10 mil alunos, o número de matriculados diminuiu 1,7%, no primeiro semestre, enquanto o percentual de novos alunos encolheu 3,9%. São instituições onde o atendimento aos estudantes não é tão personalizado quanto nas pequenas. Mas são as grandes que têm maior capacidade de captar alunos, diz Capelato.— São essas faculdades que conseguem oferecer os descontos mais atraentes, além de parcelar o curso em prazos mais extensos, como até oito anos — afirma.Pesquisa do Semesp mostrou que 80 mil calouros deixaram de se matricular nas universidades privadas este ano por conta de desemprego ou perda de renda, conforme reportagem do jornal O GLOBO.

Considerando apenas os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, mostra a pesquisa, a queda de matrículas de calouros foi de 25,7%. Especialistas avaliam que, com a economia crescendo pouco este ano, a lentidão na criação de novas vagas de trabalho e a redução dos programas de financiamento estudantil, como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), do governo federal, não haverá reversão deste movimento de evasão em 2019.

— Enquanto não tivermos a reversão do desemprego, não vai haver crescimento significativo da base de alunos no ensino superior — diz o coordenador da área de estudos de mercado da consultoria Hoper, especializada em educação, Paulo Presse.

POR JOÃO SORIMA NETO

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